28.4.06

Vício

Eu não queria a vida
entre quatro paredes
que não deixam entrar os sonhos
que lá fora florescem
Somos, eu e meu cigarro, almas gêmeas
que desfrutam e degustam da mesma solidão
Eu o devoro
Ele me mata
Nós, lentamente, nos destruímos
Eu não queria a vida
entre quatro paredes
que não permitem entrar o sol
que lá fora anoitece
tenho olhar de cobra
cujo bote nunca atinge o alvo
veneno perdido, gota a gota,
num suicídio louco
em forma de fumaça
Sou vítima do meu próprio bote
senhor absoluto
do meu próprio veneno.

Amaro bento Vaz Filho

24.4.06

Estou lendo o manga lobo solitário e me deparei com o seguinte:

No Budismo existe uma frase que diz "Isshin nisenbyakudô"
( um só coração na estrada branca entre dois rios)
O rio de fogo significa a ira e o rio de água significa a ambição do ser humano.
O homem deve seguir o estreito caminho branco que se estende entre esses dois rios,
sem cair na tentação de nenhum deles.
Só assim, conseguirá realizar o seu desejo e alcançar os céus.

11.4.06

"Ainda era cedo para acender as lâmpadas, o que pelo menos precipitaria uma noite. A noite que não vinha, não vinha, não vinha, que era impossível. E o seu amor que agora era impossível - que era seco como a febre de quem não transpira, era amor sem ópio nem morfina. E "eu te amo" era uma farpa que não se podia tirar com uma pinça. Farpa incrustada na parte mais grossa da sola do pe".

(Trecho retirado do livro de Clarice Lispector - Uma Aprendizagem ou Livro dos Prazeres)