23.11.06

Amanhecimento
Elisa Lucinda

De tanta noite que dormi contigo
no sono acordado dos amores
de tudo que desembocamos em amanhecimento
a aurora acabou por virar processo.
Mesmo agora
quando nossos poentes se acumulam
quando nossos destinos se torturam
no acaso ocaso das escolhas
as ternas folhas roçam
a dura parede.
Nossa sede se esconde
atrás do tronco da árvore
e geme muda a ponto de a
só nós ouvirmos.
Vai assim seguindo o desfile das tentativas de nãos
o pio de todas as asneiras
todas as besteiras se acumulam em vão ao pé da montanha
para um dia partirem em revoada.
Ainda que nos anoiteça
tem manhã nessa invernada
Violões, cancões, invenções de alvorada...
Ninguém repara,
nossa noite está acostumada.

10.11.06

Eis o sitar. Um instrumento indiano criado no século XIV por Amir Khusro. O sitar possui sete cordas principais e treze (há variações) abaixo delas que são chamadas taraf, é lindo! Você toca as superiores..e as de baixo (taraf) ressoam.. surgindo um som maravilhoso..
Na foto, tem-se ao lado direito Ravi Shankar, um músico respeitadíssimo não só na Índia, tocando sitar. O outro instrumento é a Tabla. São dois tambores, um agudo chamado daya e um grave chamado baya. Parece simples né? Olhei assim e imaginei tipo uma batera ..que eu nem tô achando "simples" ..hehe...depois que ouvi o som e um amigo disse que é feito com os dedos..
Putz!
...o som é transcendental..vale a pena..

27.10.06

LE VENT NOUS PORTERA

23.10.06

Onde eu possa cair sem me machucar

Que todas as estrelas caiam agora sobre

E venham me contar sobre todas as maravilhas vistas

Me
tragam esperança vivida
E não rachada pela vida

Me tragam brilhos eternos

Iluminados em minha luta em ser

Me tragam sorrisos sinceros

Para assim me sentir tocada em ai

Me tragam frases não ditas

Novo filme para eu ver
E então uma nova vida viver

Roberta Moriya

18.10.06

Novamente..Lobo Solitário
"A...A Vida...A vida é, acima de tudo...Insubstituível..De fato, a vida...é indescritível em palavras...agora eu entendi..compreendo isso em meu coração..."

17.10.06

São João da Cruz
DIZEM ASSIM
1. Para chegares a saborear tudo,
Não queiras ter gosto em coisa alguma.
2. Para chegares a possuir tudo,
Não queira possuir coisa alguma.
3. Para chegares a ser tudo,
Não queiras ser coisa alguma.
4. Para chegares a saber tudo,
Não queiras saber coisa alguma.
5. Para chegares ao que não gostas,
Hás de ir por onde não gostas.
6. Para chegares ao que não sabes,
Hás de ir por onde não sabes.
7. Para vires ao que não possuis,
Hás de ir por onde não possuis.
8. Para chegares ao que não és,
Hás de ir por onde não és.

21.9.06

"A intimidade do outro é um templo onde se deve entrar de joelhos"
( Madre Cristina)

7.8.06

NOMI DOMO MO
YONAGA DARÔ ZO
SABISHIKARO
(ISSA)


Também para as pulgas
A noite deve ser longa
E solitária

27.7.06


"é noite ai de mim que tenho de ser luz
e sede do que é noturno e solidão
é noite como uma nascente
rompe de mim agora o meu desejo
e pede-me que fale
é noite fala mais alto agora todas as fontes borbulhantes
e também a minha alma é uma fonte borbulhante
é noite somente agora despertam todos os cantos luz
e também a minha alma é um canto de alguém que ama
a minha alma é um canto de alguém que ama
há qualquer coisa em mim insaciada, insaciável em mim
e quer erguer a voz...um anseio de amor..."
(zarathustra)

24.7.06


Um Molière Imaginário. Grupo Galpão.
Pois não sabes que o sonho pode restaurar a vida...

4.7.06

Os nenúfares em Giverny, 1917
...Conselho, oh sonho meu, o que fazer?
Resumir num só olhar a pura ausência dispersa nesta solidão e, como se colhe, em memória de uma paisagem, um destes mágicos nenúfares fechados que aqui surgem subitamente, encerrando na sua brancura vazia um nada, feito de sonhos intactos, da felicidade que não terá lugar e do meu sopro aqui retido no medo de uma aparição, partir, não obstante, silenciosamente, remando contra a maré, pouco a pouco, sem que o choque interrompa a ilusão nem o sussurro das bolhas de espuma visíveis em espiral, criada durante a minha fuga, lance aos pés de alguém que surge repentinamente a aparência transparente do rapto da minha flor ideal...
(Stéphane Mallarmé, O Nenúfar Branco)

29.6.06

Caminhos diferentes
E os laços que se mostram fortes
Resistirão às mudanças
Alcançarão a distância
Permanecerão diante do silêncio
Do não saber
E o querer saber haverá
E o passado irá se impor como
um fator importante
E dará suporte para que o futuro
continue na sua essência o mesmo
E as conversas e as suposições
se tornarão realidade
E o desejo que brota em nossos
corações será este
E a cumplicidade será nossa testemunha
A reciprocidade nossa força
A dificuldade apenas um obstáculo
E o riso nossa alegria!

20.6.06

As águas que correm não são mais as mesmas,
nem as nuvens que pairam no céu...os dias e meses
são visitantes passageiros,
que nunca mais retornam...
( Lobo Solitário - Como nuvem para o dragão, como
vento para o tigre)

12.6.06

Tempos idos
Augusto dos Anjos

Não enterres, coveiro, o meu Passado,
Tem pena dessas cinzas que ficaram;
Eu vivo dessas crenças que passaram,
e quero sempre tê-las ao meu lado!

Não, não quero o meu sonho sepultado
No cemitério da Desilusão,
Que não se enterra assim sem compaixão
Os escombros benditos de um Passado!

Ai! Não me arranques d’alma este conforto!
- Quero abraçar o meu passado morto,
- Dizer adeus aos sonhos meus perdidos!

Deixa ao menos que eu suba à Eternidade
Velado pelo círio da Saudade,
Ao dobre funeral dos tempos idos!

6.6.06


Segundo Comte-Sponville:
"Podemos ser mais ou menos sábios,
do mesmo modo que podemos ser
mais ou menos loucos".


26.5.06


A Natureza Divina (as qualidades das pessoas de)
arnaldo antunes

Inexistência do medo
Purificação da vida
Compreensão transcendental
Caridade, autocontrole
Prática de sacrifícios
Estudo dos textos védicos
Austeridade, humildade
Não-violência, não irar-se
Desapego, gentileza
Veracidade, renúncia
não gostar de ver defeitos
Determinação, modéstia
Compaixão para com todas
(Inferno de Dante)
as entidades viventes
Estar livre da cobiça
Cordialidade, clemência
Vigor, pureza, limpeza
Não desejar ser honrado.

18.5.06

Sobre isso...é até engraçado...pego um livro agora...de uma amiga que faz psicologia...abro e começo a ler...

"Minha pessoa não é como um núcleo rígido dentro de mim ou uma pequena estátua permanente e fixa; pelo contrário, ser pessoa implica um processo dinâmico. Em outras palavras, se você me conheceu ontem, por favor, não pense que sou a mesma pessoa que você encontra hoje.
Experimentei mais da vida, encontrei novos sentimentos naqueles a quem amo, sofri, rezei, e estou diferente...
Aproxime-se de mim, então, com um senso de descoberta, estude minha face, minhas mãos, minha voz e procure pelos sinais de mudança: é certo que mudei. Mas, mesmo que você reconheça isso, posso estar um pouco temeroso de lhe dizer quem sou."

Livro: Por que tenho medo de lhe dizer quem sou? (John Powell, S.J.)

15.5.06

Moinha
tierro

Aquele sofrimento da subida na escada, ...
A longa escadaria que nos leva até o topo, ...
E a gente vai subindo devagar, ...
Eu nem sei se você sabe!
O quanto você me fez bem, me faz bem
Mas não me acuse de ser vago, como sempre me acusam!
Não há entendimento em um agradecimento?
Há no que digo algo qu permanece!
Não pode fluir para uma interpretação
Nem tudo é televisivo ou televisão
Algumas coisas são rios, e outras são lagoas ou mares
Algumas coisas são montanhas e outras profundos vales
Algumas coisas não possuem interpretação possível
Que ternura tenho por você!

Aquelas manhãs que nunca devíamos ter acordado
Sem perceber que a própria vida é um sonho
De borboletas que dormem nas densas selvas de Sumatra
E sonhando estamos nessa matrix
Jamais ouvi Bjork sem lembrar das pessoas que fazem a vida fazer sentido!
Quantos degraus ainda?

Aqueles dias em que uma cerveja gelada redime todos os pecados
Aqueles dias em que uma conversa sobre as almas que temos dentro de nós
São necessários esses dias!
São necessários?
Que dias memoráveis!
Estes são necessários.

28.4.06

Vício

Eu não queria a vida
entre quatro paredes
que não deixam entrar os sonhos
que lá fora florescem
Somos, eu e meu cigarro, almas gêmeas
que desfrutam e degustam da mesma solidão
Eu o devoro
Ele me mata
Nós, lentamente, nos destruímos
Eu não queria a vida
entre quatro paredes
que não permitem entrar o sol
que lá fora anoitece
tenho olhar de cobra
cujo bote nunca atinge o alvo
veneno perdido, gota a gota,
num suicídio louco
em forma de fumaça
Sou vítima do meu próprio bote
senhor absoluto
do meu próprio veneno.

Amaro bento Vaz Filho

24.4.06

Estou lendo o manga lobo solitário e me deparei com o seguinte:

No Budismo existe uma frase que diz "Isshin nisenbyakudô"
( um só coração na estrada branca entre dois rios)
O rio de fogo significa a ira e o rio de água significa a ambição do ser humano.
O homem deve seguir o estreito caminho branco que se estende entre esses dois rios,
sem cair na tentação de nenhum deles.
Só assim, conseguirá realizar o seu desejo e alcançar os céus.

11.4.06

"Ainda era cedo para acender as lâmpadas, o que pelo menos precipitaria uma noite. A noite que não vinha, não vinha, não vinha, que era impossível. E o seu amor que agora era impossível - que era seco como a febre de quem não transpira, era amor sem ópio nem morfina. E "eu te amo" era uma farpa que não se podia tirar com uma pinça. Farpa incrustada na parte mais grossa da sola do pe".

(Trecho retirado do livro de Clarice Lispector - Uma Aprendizagem ou Livro dos Prazeres)

16.3.06

FLAMA
Renato Nogueira

Deve existir um fogo em nossas almas,
fonte de calor intenso,
um brilho fundamental.

Se outros não vêm se aquecer nele,
nem
se iluminar dele,
não há por que arrefecer o ânimo:
provavelmente se contentam com cinzas!...

13.3.06

A noite na ilha
Pablo Neruda

Dormi contigo a noite inteira junto ao mar, na ilha.
Selvagem e doce eras entre o prazer e o sono,
entre o fogo e a água.

Talvez bem tarde nossos
sonos se uniram na altura e no fundo,
em cima como ramos que um mesmo vento move,
em baixo como raízes vermelhas que se tocam.

Talvez teu sono se separou do meu e pelo mar
escuro
me procuravas como antes, quando nem
existias,
Quando sem te enxergar naveguei a teu
lado
e teus olhos buscavam o agora -
pão,
vinho, amor e cólera - te dou,
cheias as mãos,
Porque tú és a taça
que só esperava
os dons da minha vida.

Dormi junto contigo a noite inteira,
enquanto a escura terra gira com
vivos e com mortos,
De repente desperto e no meio da
sombra meu braço
rodeava tua cintura.
Nem a noite nem o sonho
puderam separar-nos.

Dormi contigo, amor, despertei,
e tua boca
saída de teu sono me deu o sabor
da terra,
de água-marinha, de algas,
de tua íntima vida,
e recebi teu beijo molhado pela aurora
como se me chegasse do mar que nos rodeia.

10.3.06

Bom...aqui estou eu comigo mesma de novo! Como eu perdi a senha do outro blog, resolvi começar tentar de novo...